08 julho 2009

Filme "EM CARNE VIVA"

O ano de 2003 pode-se dizer que foi um "marco" na carreira de Meg Ryan: o ano em que sua carreira desabou.
Até então conhecida como "namoradinha da América" por atuar sempre em filmes de teor romântico e ingênuo, ela, quem sabe, numa atitude desesperada por perder tal rótulo (sabe-se lá porquê), aventurou-se nessa bomba reconhecida como "Em carne viva" ("In the cut").

A trama é baseada no aclamado romance de Susana Moore, e foi a própria escritora que escreveu o roteiro.
O filme não foi bem recebido pelo público. Também pudera. Seria como ver Regina Duarte protagonizando cenas tórridas de sexo quase explícito. Nada agradável, nem esperado.
Pra mim, o filme foi uma tentativa barata de criar uma quase "pornochanchada", com o subtexto de suspense e assassinato, simplesmente para expor Meg e marcar o retorno de Mark Rufallo (na época recuperado de um problema de saúde).

O roteiro volta-se a uma estória secundária de assassinatos, com a polícia buscando um suspeito (você nem lembra disso ao assistir o filme), focando na personagem central Frannie (Meg Ryan), uma professora introvertida, sóbria e solitária. Então entra em cena o detetive Malloy (Rufallo) que, ao investigar na cidade tais assassinatos, envolve-se com ela e acaba colocando-a em perigo. Tema mais do que gasto e nada atrativo. Por isso o enfoque do filme é o sexo.

O filme tem um decorrer lento, enfadonho e sombrio. Meg Ryan está convincente no papel, já Mark está desfocado pela presença dela, além de aparentar mais constrangimento. Talvez seja porque veremos os dois em cenas fortes de sexo, com seus corpos nus em pêlo, sem qualquer pudor, ou corte. Os vários closes de pênis na tela é mais que perceptível.
Não sou contra cenas de sexo em filmes, mas ver um amontoado das mesmas sem um propósito, soa pra mim como falta de criatividade e puro marketing apelativo.

A marca do filme é exatamente sua narrativa pesada e sexual, mesclada com cenas ousadas, em que envolve masturbação feminina, fetiche, voyerismo, e até uma cena explícita de sexo oral (calma, não é a Meg que protagoniza). O diálogo também faz jus com baixo calão.
As cenas dos dois protagonistas buscam constantemente colocar Meg e Mark em situações atípicas ao perfil dos atores. Ser versátil não é problema, mas sim, o verdadeiro propósito disso. Apostar a carreira num papel, como fez Meg, parece imaturidade.

Por incrível que pareça, sem querer ser moralista, o filme é um desperdício. O único feito do filme foi retratar cenas de sexo criativas e provocantes. O roteiro para ser considerado profundo ou no minímo intimista precisaria de mais conteúdo e densidade. Sexo fácil sobre o pretexto clima de suspense, não atinje esse ponto.
No fim, parece tudo meio descabido, desproporcional e algumas vezes as coisas não se encaixam mesmo.

O filme teve bom posicionamento de câmera, optando pelo visual real e tremido, contudo, seus aspectos técnicos não são suficiente para salvar esse moroso enredo que tem algumas cenas também desnecessárias (já que esse não é o objetivo do filme) de exposição de sangue e corpos. Portanto, o insucesso de público e crítica foram totalmente coerentes em relação ao filme.

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