13 outubro 2009

Filme "O PROCURADO"

Sabe aquele processo de explosão de hormônios que todo garoto de 12 anos costuma passar, em que o gosto por tiros, socos, lutas ou qualquer outra expressão de violência parece ser o melhor que há? Então... O diretor Timur Bekmambetov ("Guardiões da noite"), parece ainda estar vivendo essa fase. E para ratificar isso, ele deu vida a esta projeção intitulada de “O procurado”, um dos filmes de ação mais “nonsense” que já vi.

Em primeiro lugar, esqueça Rambo, Macgyver, ou até mesmo o Neo da trilogia “Matrix”. O mais novo e absurdamente inverídico herói se chama Wesley Gibson!
Lembram-se do inofensivo Senhor Tumnus, o Fauno do filme “Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, pois é... ele é Wesley Gibson!!

A estória do filme é a seguinte: o supracitado jovem Wesley (James McAvoy) mora em uma pocilga muito mal localizada; tem um emprego estafante; uma namorada que lhe trai com seu melhor amigo; e ainda por cima sua personalidade é tão débil a ponto dele consentir tudo e qualquer coisa, se consolando com antidepressivos.
O que ele não sabia até então é que seu pai, o qual ele não conheceu, foi morto enquanto trabalhava para uma fraternidade de matadores que tem como objetivo aniquilar todos os assassinos que o destino os disponibilizar. O mais interessante é que quando tudo parecia não ter mais jeito, a tal liga vem à procura de Wesley para transformá-lo em um assassino tão bom quanto seu pai, impondo-lhe ainda a incumbência de matar o homicida do mesmo.

Como podem ver, não é nada demais. É uma estória simplista e nada inovadora... isto é, até vermos a composição das cenas.
O início do filme é interessante; mostra realmente como a vida de Wesley é vazia, metódica e angustiante. Seus quase- colapsos diários demonstram bem o nível de estresse do personagem, muito bem transmitidos pelo fauno... quero dizer, pelo ator James McAvoy.
A mudança brusca e involuntária na vida de Wesley, nunca mais será esquecida por ele que, agora é caçado e tem a obrigação de tornar-se apto para matar da forma mais hábil possível – tipo, algo como arrancar as asas de uma mosca com tiros não dão nem pro cheiro.
Então, sem muitas opções, ele ingressa nessa aventura com todo afinco.

A partir daí, ele, por intermédio dos membros da tal fraternidade, começa a passar por um tipo de treinamento nada ortodoxo, que consiste em ser esfaqueado e torturado de todas as maneiras que desejarem.
Para que a recuperação do rapaz seja eficaz e rápida, eles o imergem em uma espécie de sebo curativo que em questão de horas o deixa “novo em folha”. E isso acontece várias vezes, pelo fato de seu treinamento ser intensivo (leia-se constante).
Num período de poucas semanas, Wesley passa por uma transformação idiossincrática de dar inveja a qualquer um.

E como se não bastassem todos os detalhes incabíveis e fantasiosos com relação ao personagem principal, acredito que qualquer um que tenha ouvido falar do filme, sabe que aqui carros dão piruetas e caem de pé dando continuidade ao percurso; balas fazem curvas; os seres humanos resistem a qualquer ferimento; atravessam prédios distantes só no impulso de um salto; são irredutíveis à quedas de precipícios; brincam sobre trens em alta velocidade; tudo de forma bem “natural”.
“O procurado” simplesmente desafiou qualquer lei existente, desde a lógica às leis da física. E pode ter certeza que o longa não é ambientado em um plano virtual como em “Matrix” – este que deu margens aos absurdos visuais no gênero.
Pelo menos, o universo de Neo mantém a decência de defender uma realidade antinatural, ao contrário de “O procurado” que, descaradamente, apela para todo o tipo de recurso surreal dentro de nosso universo normalesco.
Eu não me espantaria se os personagens do nada começassem a voar, ou soltar fogo pelas ventas. Afinal, pelo que foi apresentado, estaria totalmente adequado ao script.

Quanto às atuações, o protagonista James McAvoy não decepciona totalmente. Ele tem expressão, é esforçado, mas não passa credibilidade como ator de ação. Ao contrário de Angelina Jolie que está totalmente à vontade em seu papel. Personificando uma mulher bruta e de poucas palavras, o máximo que ela precisa fazer é exalar uma hostil sensualidade, e a faz com maestria, mesmo já não estando tão bonita como antes.
Agora, quem não teve oportunidade de desenvolver bem seu personagem foi Morgan Freeman (ainda que importante para a trama).

O roteiro, por fim, tem bastantes furos, que tentam ser compensados com o excesso de efeitos especiais (muito bons por sinal), e a narrativa apressada. Tantos os cortes, como as cenas, tudo muito corrido, mas ainda assim funcional.
O maior desgosto que o filme causa é sua irrealidade exasperada mesmo. Tudo bem que o filme é de ação, mas até mesmo a ficção precisa de limites. Constrange passar boa parte do filme exclamando interjeições do tipo “aaahhh, que isso!!”. Entretanto, pode-se aproveitar alguma coisa de “O procurado”.
O que eu mais gostei foi às reviravoltas do último ato: bem imprevisíveis. Aliás, inesperada mesmo foi a cena de Wesley utilizando-se de inúmeros ratos numa tentativa de vingança, que não me cabe contar aqui. Eu só vi tantos ratos assim no excêntrico longa "A Vingança de Willard".

E pra concluir, o maior acerto do filme foi evitar clichês, como acentuar o drama do personagem central, ou criar um romance entre o mesmo e a mocinha da vez.
O filme, na medida do possível, diverte, mas peca, como já disse anteriormente, pelo demasio dos efeitos e das situações. Por isso, particularmente eu não gostei, mas não deixo de recomendar como entretenimento fácil.
Entre tantos conceitos equivocados do filme, fica a pérola final: se você não sabe o que fazer de sua vida, pegue uma arma e mate todos aqueles que te perturbam.
Infeliz inspiração... Como se o mundo já não fosse violento o bastante.


10 outubro 2009

Filme "EU ODEIO O DIA DOS NAMORADOS"

Falar sobre os conceitos de relacionamento ensinados pelas comédias românticas soa tão clichê quanto o próprio gênero. É quase impossível fazer uma resenha que se distancie do óbvio. Mas vamos lá...

A mocinha da estória, Genevieve (Nia Vardalos de “Casamento grego”), é dona de uma floricultura e “adora” o Dia dos Namorados pelo aumento das vendas de flores. O intrigante é que ela mantém um embate intrapessoal entre relacionamento sério e a tal data comemorativa.
Genevieve elaborou um método que consiste em ter apenas cinco encontros com cada cara que a interessar, e assim, segundo sua teoria, a felicidade e o romantismo são ininterruptamente garantidos, graças a casualidade, já que esse espaço restrito de tempo não dá margens para brigas, envolvimento, dor, ou qualquer tipo de mágoa, podendo ela no fim dos 5 encontros partir pra outra sem culpa.
Mas no fundo, a personagem evita relacionamentos por estar profundamente traumatizada, graças às experiências frustrantes que presenciou, por isso ela criou essa espécie de “mecanismo de defesa”. E assim, por causa desse jogo do amor, ela nunca se envolveu o suficiente ... até conhecer Greg (John Corbett).

No que tange ao roteiro, mesmo se rendendo aos clichês, é possível se divertir com o bom gosto e a elegância das cenas.
Os momentos de Genevieve com os dois homossexuais que com ela trabalham, rendem as partes mais cômicas, sem contar com seus outros amigos um tanto singulares.
Na verdade, os coadjuvantes dão um “Q” a mais. Todos são bons e engraçados. O que parece ter virado uma marca de Nia, pois todos os seus filmes são repletos de personagens secundários que estão ali para reforçarem o humor. Foi assim também com o mais novo filme dela "Falando grego".
O problema é que em "Eu odeio o dia dos namorados", o elenco de apoio não passa de um suporte sem qualquer destaque. O filme é do casal e apenas do casal.

Quanto à protagonista Nia Vardalos, eu a acho agradável, dona de um timming cômico tímido mas funcional, além de apreciar seu indiscutível entrosamento com John Corbett, mas mesmo em seu maior e mais despretensioso sucesso, “Casamento grego”, no que diz respeito à atuação, Nia é confusa e repleta de cacoetes. Poucas de suas expressões transmitem com afinco o que a personagem parece estar sentindo.
Ela me lembra um pouco a atriz brittany murphy, considerada por mim a atriz mais indecifrável no quesito atuação.
Nunca entendi as esgares e o semblante desligado de Brittany, assim como não compreendo o porquê de tantos sorrisos por parte de Nia ao encarnar Genevieve – ela sorri em 90% das cenas, o que soa forçado até mesmo para uma personagem que afirma exaustivamente no longa que está sempre feliz.

Continuando em Nia Vardalos, ela, notavelmente, não é a típica mocinha adequada aos padrões estéticos das indústrias cinematográficas, todavia, com o tempo ela melhorou bastante fisicamente. E o ápice desta melhora é possível ver em "Falando grego".
Voltando agora ao enredo, o filme tem suas pegadas à La “Casamento grego”, desde as gagues até à própria estrutura, principalmente pelo repeteco do casal protagonista.
A interação dos dois continua competente, façanha herdada pela primeira parceira. No entanto, a estória, ainda que desfrutável, é bem mais tépida e apressada.

Já a trilha sonora é um mimo. Bem delicada e romântica, sendo uma das coisas mais apropriada ao clima do filme.
Agora, o ponto mais aborrecido do filme é que as cenas não variam muito, limitando-se a mostrar o casal em seus encontros e mais nada.
Por sorte do espectador, as situações pelas quais eles passam são pelo menos engraçadas. Destaque para o passeio deles numa galeria com quadros bem excêntricos.

A diretora do filme que, no caso, é também a roteirista e a protagonista - pois é, Nia Vardalos quis fazer tudo! -, se esforça para entregar uma bela produção, no entanto, acaba entregando um final previsível e fastidioso do jeito que Hollywood gosta.
Por fim, "Eu odeio o dia dos namorados" é simplista, leve, divertido, e tem lá os seus acertos como já citei, mas é graças à química do casal e seus coadjuvantes carismáticos que esta projeção não é um total desastre.

09 outubro 2009

Filme "TRANSFORMERS 2 - A VINGANÇA DOS DERROTADOS"

Como era de se esperar, “Transformers 2 - a vingança dos derrotados” vem com a intenção de ser um dos maiores filmes pipoca de todos os tempos...
E eu não posso discordar, sendo que este é um dos filmes mais exagerado que já vi, em todos os sentidos.

Ao contrário do original, nesta sequência ninguém brilha ou ganha destaque, nem sequer o astro Shia Labeouf como o protagonista Sam. Tudo é ofuscado pelos gigantescos robôs visualmente indecifráveis.
Shia deve ter se sentido em um “revival” do filme “Controle absoluto”, pois mais uma vez, ele simplesmente precisou correr e correr muito (!!) o filme todo.
Em nenhum momento ele pôde explorar mais características da personalidade de seu personagem porque não houve essa abertura por meio do roteiro.
O diretor Michael Bay simplesmente deu uma continuidade simplória e sem nexo a estória do primeiro filme, e recheou o resto do longa com cenas de efeitos especiais extremamente complexas e profusas.
Pois é, ele não fez nada mais que simplesmente apelar para todo o tipo de efeito visual e despejar tudo na tela.

Ainda que a qualidade do gráfico do filme seja o único motivo elogiável, tudo é muito confuso em diversos momentos, como por exemplo, nas lutas e nas transformações - pra não dizer tudo!
Não será surpresa se espectador se perguntar o que está acontecendo em cena ao assistir à massiva presença de peças mecânicas em choque, faíscas, explosões, misturando-se cores, luzes e sons. Características mais do que oriundas se tratando do fútil Michael Bay.

Em relação à trama do filme, não há desenvolvimento contextual algum, somente pirotecnia, nada mais que isso.
O filme é tão apressado na composição de suas cenas que mais parece um thriller estendido (e põe estendido nisso!!). Cansa se deparar com tanta ação banal em uma duração tão prolixa.
Não houve chance também de se criar envolvimento, ou empatia pelos personagens como foi possível no primeiro. Até o próprio desfecho do filme não surpreende, sendo que de fato, não havia mais o que ser mostrado.
Enfim, se o primeiro não tinha um roteiro consistente, aqui é pior! Os escassos enredos foram todos acoplados em um só, formando um mísero compêndio sob uma lógica anacrônica que só serve de prumo para tanto barulho e tantas lutas.

A comicidade fácil e típica do gênero também não é deixada de lado aqui. As tiradas pastelões aqui soam, por incrível que pareça, como um alívio em meio a tanto alvoroço (destaque para uma cena com um aparelho de choque portátil muito engraçada).
Shia Labeouf demonstra melhor seu carisma em cenas cômicas. Afinal, não é nada empolgante para um filme com grande apelo para a ação, ter o herói correndo a todo tempo soltando gritinhos constrangedoramente agudos.
Já a toda boa Megan Fox, mais uma vez como a passiva namorada do mocinho, não faz nada no filme a não ser mostrar-se bela – o que ela faz com competência, claro!
Sempre filmada nos melhore ângulos, a câmera só busca enaltecer sua beleza pra alegria dos marmanjos de plantão.

Alguns furos ao longo do vídeo são gritantes. Uns são bem descarados, como o do personagem Agente Simmons (John Turturro) escalando uma pirâmide (isso mesmo, uma pirâmide!), e em questão de segundos o vemos sair do meio da mesma para o topo, sem mais nem menos.
Outra interessante é a do personagem Sam (Shia), ao ser ferido pelo impacto de uma bomba lançada contra ele, tendo assim a parte esquerda do rosto extremamente machucada; passada algumas tomadas, lá está seu rosto com apenas alguns arranhões. Penso que, talvez, ele tenha adquirido poderes de se regenerar como o Wolverine, vai saber...
E por falar em personagem do “X-men”, até mesmo uma decepticon revestida de aparência humana - pra ser mais exato, como uma insinuante garota - traz à lembrança os mutantes vilões da saga do professor Xavier.

Tem uma cena que de tão pífia me fez chorar de rir: Sam praticamente em uma experiência de quase-morte, com direito a todos os clichês desta situação. Não irei entrar em detalhes para não “estragar” o momento.
Aliás, clichês em nenhum momento são economizados aqui: Corridas em câmera lenta; muitos close up´s; pop rock meloso de fundo; a câmera circulando em traveling; o patriotismo explicito representado pela presença do exército americano; cenas aéreas exageradas, e por aí vai.

Outro fato que incomoda é a surrealidade que Michael Bay dá a estrutura óssea humana.
Shia cai de alturas descomunais e nada lhe acontece! Ah, não, eu não poderia esquecer que ele machuca a mão...
Ele, tipo, poderia rolar despenhadeiros, caminhões caírem sobre ele, e nada lhe aconteceria. Ou melhor, ele machucaria apenas a mão (aff...). Isso, é claro, até vir a próxima tomada para ela estar totalmente curada – falácias dignas de Bay.

Concluindo, Para se aproveitar “Transformers 2 - a vingança dos derrotados” (péssima adaptação do título original), basta desligarem o cérebro e aproveitar as exorbitantes explosões que compõem quase 80 % do filme.
Nem preciso diser que há esta hora a imagem de Shia Labeouf como "nerd" já se tornou indelével , e algum dia, infelizmente, isso pesará na carreira dele.



Filme "A GAROTA IDEAL"

A julgar pela sinopse do filme “A garota ideal” ("Lars and the Real Girl"), eu diria que o dito popular “seria triste se não fosse cômico” cairia como luva para descrever esta projeção. No entanto, ao assistir o filme, eu parafrasearia esta expressão da seguinte forma: “seria cômico se não fosse lindo”.

Vamos então à sinopse para que possam entender o porquê...
Lars, um jovem adulto tímido, não consegue se relacionar com ninguém diretamente. Totalmente recluso, ele mal consegue interagir com seus próprios vizinhos que, no caso, são seu irmão e sua cunhada.
Então em um belo dia, ele aparece com uma boneca de silicone de tamanho real, usada para fins sexuais (mas não no caso dele), a qual ele apresenta como um ser humano, ou para ser mais exato, como sua namorada.
Segundo Lars, a boneca é uma jovem missionária brasileira chamada Bianca que adora crianças. E para dificultar mais, ele pede para o irmão a hospedar, pelo fato de Bianca acreditar no celibato.

Como podem ver a descrição da estória acima não se adéqua ao termo “lindo” que usei anteriormente para classificar a película. Mas acreditem: nada aqui é retratado de forma infame ou bizarra, nem sequer terá cena de humor fácil ou escrachado.
“A garota ideal” não passa de um belo drama, trasvestido de comédia. Até mesmo em seu trailer é possível enganar-se com a idéia de que será mais uma comédia de fim romântico. Mas o interessante é que o espectador só irá se dar conta da real intenção do filme quando realmente o assistir.

As tiradas cômicas e os momentos constrangedores existem sim, mas tudo é muito sutil, sem beirar em nenhum momento o ridículo. E por incrível (e paradoxo) que pareça, o filme pende para um lado tão profundo e denso como poucos filmes conseguem.
A falta de foco em um gênero específico funciona muito bem, por isso “A garota ideial” é tão uniforme em sua mescla de tipos.

Craig Gillespie, com sua ótima direção, marcando aqui seu debute, conseguiu a façanha de reproduzir uma situação embaraçosa e implausível, de forma altamente verossímil e emocionante, indo de confronto à própria impressão inicial.
Aparentemente o longa discorreria por uma linha medíocre, mas bastou cair nas mãos certas para se ter algo bem superior às expectativas.

Já com relação ao elenco, é altamente inspirador ver o minimalismo de cada representação. Os diálogos, as performances corporais, os olhares, as sentimentos exprimidos, tudo muito bem acoplado à trama.
Um integrante destacável deste considerável casting é a jovem Kelli Garner com sua natural e encantadora interpretação. Apaixonei-me por sua personagem. Aliás, todos são igualmente elogiáveis.
Kelli, assim como a maior parte do elenco, consegue conquistar o espectador nos pequenos detalhes, sugerindo em cada gesto uma intenção.
Outros nomes que merecem ser citados são de Emily Mortimer, como a cunhada de Lars, e Paul Schneider, como o irmão.

O roteiro altamente analítico de Nancy Oliver desenrola-se progressivamente, envolvendo o espectador com toda a meticulosidade.
Na estória, os moradores do bairro de Lars consentem em inserir a boneca em suas vidas, tratando-a como um ser literal, tudo para que Lars possa se sentir realizado, aceito e possivelmente “curado”.
Essa valiosa e tocante lição de altruísmo, quase extinta no cinema, é que deixa o filme ainda mais poético e filosófico.

Agora, sem esquecer a melhor parte, temos o espetacular protagonista Ryan Gosling (“Diário de uma Paixão”), que desconcerta qualquer um com sua bela atuação. Confortabilíssimo no personagem, ele transmite com maestria o comportamento complexo, iludente e reprimido de Lars; não é à toa que Ryan foi indicado ao globo de ouro na categoria de melhor ator por este papel.

Enfim, é claro que o filme não é perfeito, tem lá seus momentos exagerados e alguns leves furos, contudo, julgando-o no geral, ele atinge o ápice do que se espera de uma ótima projeção.
Ao apresentar uma visão écloga da vida em como ela deveria ser, sem sombra de dúvidas, esta obra de aspecto não-convencional, qualificada, intitulada como “A garota ideal”, é altamente recomendável. Estou certo de que irá emocionar até o mais indiferente e disperso ser humano.