30 junho 2009

Filme "OS OUTROS"

"Os Outros", com certeza, foi um dos melhores filmes da carreira de Nicole Kidman. As produções das quais ela participa, nem sempre são sucesso de público, ou de temática que arrecadam milhões, mas sua atuação é um show à parte. Raramente vejo Nicole desconcertada com um personagem, e com esse não foi diferente.
Grace, sua personagem, é uma dona de casa áustera, firme e solitária, mãe de dois filhos que, vive num ambiente sombrio, quase que enclausurada em uma mansão escura, em meio aos anos 40 sob os efeitos da segunda guerra mundial, para onde foi seu marido convocado, até então sem dar notícias.

Apesar da inevitável comparação que sofreu com o clássico "O Sexto Sentido" de Shyamalan, e a indiferença da crítica na época, o filme consegue ser tenso, assustador e inovador. Por isso, particularmente, este é o meu filme preferido de Nicole.
Mesmo que o final venha a ter realmente uma semelhança com o inesperado desfecho do sucesso protagonizado por Bruce Willis e Halley J. Osment, o filme conseguiu causar a mesma sensação de imprevisibilidade.

O universo de "Os Outros" é tão lúgrube, escuro e pavoroso que, o espectador fica hipnotizado ao ver como Grace se mantém lúcida e racional ao deparar-se com "fenômenos paranormais" que a rodeiam e ameaçam seus filhos.
O filme não utiliza uma vez sequer artifícios comuns do gênero, como sangue, mortes ou mutilações. Limitado exatamente a narrativa de suspense, o filme é um tanto lento, mas nada cansativo. A atenção se volta à trama que, conseguiu carimbar uma das cenas mais assustadoras da história do cinema, como a da menina vestida de noiva, supostamente possuída por algo (vê-de a foto abaixo).

As crianças não são um primor de interpretação, mas quero frisar que a atriz mirim Alakina Mann (como "Anne"), conseguiu compor bem o seu papel. Os pequenos atores não foram meras crianças bonitinhas que estavam ali para protagonizar cenas melodramáticas descartáveis.

A escuridão foi utilizada na tonalidade certa. O ambiente gótico proporciona o desconforto com a situação. A dúvida e o medo presentes no olhar de Nicole, durante os acontecimentos, são imprescindíveis para o envolvimento do público.
A forma com que a história se desenrola, o clima asfixiante da casa que não pode ser aberta, nem ter exposição de luz devido a uma doença das crianças, e como tudo isso é resolvido no fim, é o que torna "Os Outros" um suspense de primeira. Nem sempre é necessário abusar de efeitos especiais e mortes explícitas para conseguir criar pavor no espectador.

Talvez se lançado numa época mais distante de "O Sexto Sentido", o filme teria conseguido mais reconhecimento, o que seria mais justo, pois se todos os filmes que se inspiram em algum sucesso fossem desse nível, só teríamos a agradecer.

Utilizar-se de um recurso que deu resultado e explorá-lo sob outra ótica, atingindo originalidade tanto quanto, é um feito que somente "Os Outros" conseguiu, e com tanta classe.

Nenhum comentário: